2.5 O vínculo entre a Placa de Nazca e a Cratera Wegener
O deslocamento das Placas do Pacífico e de Nazca é contínuo — a primeira emerge na região polar e é subduzida pelas placas da Austrália, Eurasiática e Placa Norte-Americana na Fossa das Aleutas.
Já a Placa de Nazca diverge da Placa do Pacífico, avançando contra a Placa Sul-Americana e sendo subduzida por esta última.
Imagem: PLACA DE NAZCA em Wikipedia com círculo de aproximadamente 5.000 km sobreposto
O deslocamento do magma subjacente à Placa do Pacífico sempre ocorre no sentido noroeste — mas a crosta que integra a placa muda de direção ao encontrar resistência suficiente.
O fator que causa a mudança de direção ocasional dessa placa tectônica é a resistência oferecida pela grande subplaca gerada pela Cratera Wegener quando foi travada contra a Placa Eurasiática.
A placa superficial mais espessa e endurecida da cratera ofereceu resistência ao colidir com as placas tectônicas em seu trajeto — e ela permaneceu retida e a tensão se acumulou até atingir um limite.
No momento em que o trecho oriental da placa da cratera foi subduzido, originou-se a Fossa das Marianas na região de subducção — e a Placa do Pacífico retomou a trajetória do magma subjacente.
Essa ocorrência é evidente e datável pela mudança de direção indicada pela guinada brusca da cadeia submarina Havaí-Imperador, como citado anteriormente.
Este estudo cita os terremotos e atividades vulcânicas no Peru e Chile, bem como os sismos na Bolívia, como relacionados ao impacto de Wegener.
No entanto, é de conhecimento geral que esses eventos são causados pela subducção da Placa de Nazca avançando abaixo da Placa Sul-Americana — e não pela Placa do Pacífico.
Pelo contrário, a Placa do Pacífico se afasta da América mais rápido do que o avanço da Placa Sul-Americana.
E a Placa de Nazca está muito mais ao norte do que o hotspot antártico proposto para a Cratera Wegener — de fato, refazendo o percurso das duas cordilheiras principais a partir da cratera, chegamos a hotspots localizados na Placa de Nazca, como o exemplo abaixo.
Incluindo as áreas de orogênese na região andina da América do Sul, seu formato é estranhamente circular — e é notável que a área desse círculo corresponda aproximadamente ao diâmetro de 4.600 km estimado para a Cratera Wegener.
Para ser plenamente compreendido, o processo de desintegração que resultou nessas frações dispersas pelos oceanos Pacífico e Antártico precisará ser estudado com a ajuda de recursos visuais capazes de simular a movimentação de todos os integrantes, incluindo as placas tectônicas vizinhas, e validar as datas estimadas para os eventos.
1) Evidência da fauna das Ilhas Galápagos?
As famosas tartarugas de Galápagos poderiam ser sobreviventes do mesmo período em que as tuataras colonizaram a Nova Zelândia?
Outro réptil primitivo habitante das ilhas é a iguana marinha, mas por ser um animal de hábitos aquáticos, fica mais difícil relacionar sua chegada às ilhas como consequência de uma colonização no período triássico — e há muitas linhagens atuais presentes nas Américas do Sul e Central.
O caso das ilhas em si é diferente:
A teoria atual diz que as Ilhas Galápagos são relativamente recentes, formadas entre 8 milhões a no máximo 90 milhões de anos.
No entanto, se a Placa de Nazca realmente se formou pelo impacto de Wegener, ela é extremamente antiga com exatos 251 ± 2,6 milhões de anos.
Além disso, as Ilhas Galápagos estão localizadas exatamente no anel secundário externo, perfeitamente alinhadas com outros dois hotspots — a Ilha de Páscoa e as Ilhas Juan Fernandez.
E há uma coincidência curiosa e surpreendente entre os hotspots na Placa de Nazca e alguns vulcões dos maiores e mais ativos na fração da Placa das Filipinas/Placa das Marianas:
E há uma coincidência curiosa e surpreendente entre os hotspots na Placa de Nazca e alguns vulcões dos maiores e mais ativos na fração da Placa das Filipinas/Placa das Marianas:
Imagem: Google Earth e PLACA DE NAZCA em Wikipedia com círculos de diâmetro 4.600 km sobrepostos
Há uma coincidência perfeita entre o maior vulcão do Japão (Monte Aso), o maior vulcão das Filipinas (vulcão Mayon), o vulcão mais ativo das Filipinas (vulcão Tauan) e o vulcão mais ativo da Indonésia (Lokon-Empung).
90 milhões de anos é a idade atribuída ao arco vulcânico do Caribe, ao qual outro estudo do autor relaciona à Extinção Jurássica e à Província Magmática do Atlântico Central (na sigla em Inglês, CAMP) há 201,3 milhões de anos.
Teria havido algum outro evento geológico significativo há 90 milhões de anos naquela região, capaz de reativar arcos vulcânicos?
Isso teria mascarado a idade real da cratera evidenciada pelo arco vulcânico do Caribe — afinal, todos os arcos vulcânicos estudados estão relacionados a crateras de impacto e eventos de extinção, conforme outros estudos do autor. (Veja a explicação detalhada sobre reativação de arcos vulcânicos no Apêndice na postagem do final da série.)
Vulcões responsáveis por grandes erupções como o Tambora e o Krakatau se localizam um pouco mais ao sul, mas não podemos descartar uma relação entre eles — sua atividade vulcânica pode estar relacionada à pressão gerada pela colisão da subplaca da Cratera Wegener impulsionada pela Placa do Pacífico.
90 milhões de anos é a idade atribuída ao arco vulcânico do Caribe, ao qual outro estudo do autor relaciona à Extinção Jurássica e à Província Magmática do Atlântico Central (na sigla em Inglês, CAMP) há 201,3 milhões de anos.
Teria havido algum outro evento geológico significativo há 90 milhões de anos naquela região, capaz de reativar arcos vulcânicos?
Isso teria mascarado a idade real da cratera evidenciada pelo arco vulcânico do Caribe — afinal, todos os arcos vulcânicos estudados estão relacionados a crateras de impacto e eventos de extinção, conforme outros estudos do autor. (Veja a explicação detalhada sobre reativação de arcos vulcânicos no Apêndice na postagem do final da série.)
Vulcões responsáveis por grandes erupções como o Tambora e o Krakatau se localizam um pouco mais ao sul, mas não podemos descartar uma relação entre eles — sua atividade vulcânica pode estar relacionada à pressão gerada pela colisão da subplaca da Cratera Wegener impulsionada pela Placa do Pacífico.
Então as Ilhas Galápagos poderiam ser remanescentes do anel secundário externo orirental da Cratera Wegener?
Apesar de ser uma teoria sedutora, não é possível fazer tal afirmação somente com base na peculiar fauna nativa.
Há evidências genéticas de que as tartarugas de Galápagos se separaram de uma filial da América do Sul há apenas 8 a 12 milhões de anos[1], o que reforça a hipótese de sua chegada às ilhas flutuando em jangadas de vegetação — iguanas marinhas também poderiam ter usado o mesmo recurso para atingir distâncias tão grandes.
Mas a questão sobre essas ilhas serem parte do anel secundário externo certamente merece ser investigada.
Há evidências genéticas de que as tartarugas de Galápagos se separaram de uma filial da América do Sul há apenas 8 a 12 milhões de anos[1], o que reforça a hipótese de sua chegada às ilhas flutuando em jangadas de vegetação — iguanas marinhas também poderiam ter usado o mesmo recurso para atingir distâncias tão grandes.
Mas a questão sobre essas ilhas serem parte do anel secundário externo certamente merece ser investigada.
A zona geológica anômala no litoral do Chile
A região vulcânica de formato triangular entre os hotspots da ilha da Páscoa e San Félix possivelmente corresponde ao período em que a placa do Pacífico enfrentou a resistência imposta pela Placa das Filipinas/Placa das Marianas ao ser travada pela Placa Eurasiática.
Imagem: Google Earth
Esse evento aconteceu em época recente, como pode ser deduzido pela pequena distância entre os hotspots chilenos e a região anômala.
Levando-se em conta o deslocamento relativo, chega-se a um valor próximo à data estimada.
O estacionamento da placa sobre os hotspots remanescentes do impacto formou essa região triangular ao longo de algumas dezenas de milhões de anos por meio de um processo similar ao que formou a Anomalia Magnética da África (resultado da cratera de impacto ocorrido há várias centenas de milhões de anos no Planalto Central do Brasil, tema de outro estudo).
O início do cisalhamento e subducção da Cratera Wegener sob a Fossa das Marianas facilitou o deslocamento da Placa do Pacífico, que passou a oferecer menor resistência ao avanço da placa do continente americano.
Isso se refletiu na maior velocidade do escoamento de magma nos limites da Dorsal Mesoatlântica em tempos recentes conforme evidenciado pelas fraturas paralelas transversais à dorsal.
Com uma extensão entre aproximadamente 1.400 e 1.700 km de cada lado da dorsal, esse escoamento rápido a uma taxa atual de 32 mm/ano pode ser datado como ocorrido entre 44 e 53 milhões de anos, média de 48,5 milhões de anos.
Essa datação praticamente coincide com a idade de 50 milhões de anos atribuída ao surgimento da Fossa das Marianas, e com a estimativa da mudança de direção da cadeia vulcânica submarina Havaí-Imperador, que teria ocorrido há 47 milhões de anos.[2]
Interpretação do enigma da Placa de Nazca
A teoria que proponho para explicar a deriva da Placa de Nazca rumo ao norte é a seguinte:
O mundo era fundamentalmente diferente há 252 milhões de anos.
O continente antártico se encontrava ao sul da África, mas a leste da América do Sul.
Somente avançou para a posição atual após o impacto de Wegener, provavelmente impulsionada pela ressurgência do manto.
Sua área é 4 vezes maior que a área da Placa de Nazca, e sua massa é tremendamente maior.
Em uma luta de carneiros, Nazca foi deslocada da posição que ocupava no polo sul e empurrada para oeste e para norte.
A resistência oferecida pela Placa do Pacífico não deixou alternativa para Nazca, que foi obrigada a se deslocar para o norte e para leste, pressionada por duas forças irresistíveis.
[1] The mysterious bend in the Hawaiian-Emperor chain, Helmholtz Association of German Research Centres
ATENÇÃO: Blog em ordem inversa. Para continuar a leitura, leia a postagem abaixo ("mais antiga").



Muitíssimo interessante!
ResponderExcluir