segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Cordilheiras submarinas da Cratera Wegener

2.4 Cordilheiras submarinas associadas à Cratera Wegener
Vimos que um impacto gera um hotspot e, na medida em que a placa tectônica se afasta do local levando consigo a cratera.
A deriva da Cratera Wegener desde a Placa de Nazca — à época localizada no polo sul — é plenamente evidenciada pelas cadeias vulcânicas submarinas que se estendem ao longo do Oceano Pacífico.
Para entendermos a mecânica das cordilheiras, é importante ter em conta:
· Os vulcões mais próximos à cratera são os mais antigos da cordilheira.
· Quanto mais próximos da cratera, mais ativos eram os vulcões extintos que formam os montes da cordilheira.
· Quanto mais distante no tempo, maior a distância percorrida pela placa, maior a extensão da cordilheira.
· O conhecimento da velocidade de deslocamento da placa permite calcular a idade dos vários pontos ao longo da cordilheira com base na distância percorrida.
A análise das cordilheiras submarinas a partir da Fossa das Marianas mostra que a atividade dos vários vulcões do hotspot antártico (o local do impacto) foi cada vez mais intensa e massiva quanto maior a proximidade com a cratera — e na escala de tempo, quanto mais próxima do momento do impacto.
Imagem: Google Earth - Note as duas metades da Cratera Wegener e as cordilheiras vulcânicas até a Placa de Nazca.
Há duas cordilheiras principais contínuas, ambas com origem na Placa de Nazca e que seguem depois de avançarem sobre a Placa do Pacífico.
Isso evidencia que apesar de se moverem em direções quase opostas, seu deslocamento está intertravado no vetor norte — portanto, anteriormente a Placa de Nazca estava localizada ao sul, longe de sua posição atual.
No caso da Placa do Pacífico, vemos as cordilheiras como se estivessem mudando de direção caoticamente.
A mudança de percurso de noroeste para norte foi resultado da colisão da cratera com a Placa Eurasiática, e o retorno ao sentido noroeste resultou do surgimento da Fossa das Marianas.
A relativamente recente cordilheira Havaí-Imperador mostra evidências de que a placa mudou de direção em algum momento entre 48 e 50 milhões de anos atrás.

1) A sinuosidade das cordilheiras
Algo que dificulta o entendimento do processo de surgimento das cordilheiras vulcânicas é o percurso aparentemente caótico e a falta de deslocamento retilíneo entre os hotspots sul-americanos e antárticos até a posição atual da cratera, apesar de o movimento das placas tectônicas ser em sua maior parte constante em uma mesma direção.
Por que a Cordilheira Havaí-Imperador é tão retilínea (exceto pela guinada), enquanto as cordilheiras associadas a Wegener são tão caoticamente sinuosas?
A teoria vigente tenta explicar o fenômeno em termos de plumas mantélicas espontâneas e móveis originando hotspots que migram aleatoriamente abaixo da superfície terrestre, como se o comportamento das plumas mantélicas no interior da Terra fosse espontâneo e caótico de maneira similar aos filamentos de plasma de uma lâmpada decorativa.
Mas se mudarmos o referencial para a localização fixa do hotspot como resultado de um impacto de grande magnitude — pelo menos nos casos não vinculados a processos vulcânicos decorrentes de subducção — o processo de geração real dessas cordilheiras é fácil de entender:
Cada cordilheira no Oceano Pacífico relacionada ao evento de Wegener não é gerada por um único ou alguns poucos vulcões — como é o caso dos hotspots do Havaí ou das ilhas Reunião com suas cadeias submarinas únicas e contínuas.
No caso de Wegener, há diversos vulcões ativos espalhados por uma área de dimensões subcontinentais — como bolhas em uma panela com água fervente, o fluido quente emerge cada vez de um ponto diferente.
Como a Placa do Pacífico se move sobre essa série de vulcões, e as cordilheiras são formadas pela atividade de diversos vulcões que entram em atividade em momentos variados, forma-se um quadro aparentemente caótico que tende a ser observado como uma linha contínua, mas não é.
Podemos comparar o processo de geração das cadeias vulcânicas àquele antigo rolo de papel perfurado que comanda uma pianola — o papel representa a placa tectônica, e os furos da programação musical representam os vulcões.
Eles estão ativos no momento em que o papel/placa passa pelo cabeçote de leitura/conjunto de hotspots, e estão extintos na medida em que se afastam dele.
Enquanto o papel/placa se movimenta de maneira contínua e invariável na mesma direção, os furos/vulcões parecem deslocados lateralmente em função da nota musical a ser executada no instante da leitura.
Imagem: PIANOLA em Wikipedia
Se olharmos apenas a sequência de furos/vulcões, veremos apenas um percurso curvilíneo e caótico porque cada um deles atua em um momento específico.
Nossa tendência natural é focar somente na sequência de vulcões sem ver o quadro geral por trás do fenômeno — afinal, os vulcões são claramente visíveis, e o movimento da placa tectônica é imperceptível na escala de tempo humana.
Com base nessa percepção, alguns geólogos afirmam que hotspots são fenômenos aleatórios e se movimentam em relação a suas placas,[1] quando na verdade o que ocorre é que a Placa do Pacífico se movimentou sobre vulcões próximos espalhados por uma área de hotspots.
Esses vulcões somente foram descobertos recentemente na Antártida — sem essa descoberta, o quadro geral continuaria sendo muito difícil de entender.


[1] The mysterious bend in the Hawaiian-Emperor chain, Helmholtz Association of German Research Centres


ATENÇÃO: Blog em ordem inversa. Para continuar a leitura, leia a postagem abaixo ("mais antiga").

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