4. Eventos e consquências dos impactos permianos
4.1 Efeitos geológicos, meteorológicos e paleontológicos dos impactos permianos
a) A energia térmica liberada nos impactos somente pode ser medida em múltiplos de teratons de TNT. O raio de extermínio do impacto de Wegener sozinho é capaz de eliminar a vida na maior parte de um hemisfério inteiro. A irradiação térmica persistiu por mais de 30 horas.[1]
Ou seja, somente a energia do impacto de Wegener já foi suficiente para causar uma extinção global.
O pulso térmico resultou em um mega-aquecimento atmosférico global instantâneo que posteriormente seria intensificado em longo prazo pelos outros fenômenos de liberação de calor e gases de efeito estufa.
b) A onda de choque causada apenas pelo impacto de Wegener[2] causou uma sobrepressão momentânea de 300 atmosferas em um grande raio ao redor da área de impacto. As pobres inostrancevias[3] foram vaporizadas no continente Sul-Americano e suas cinzas foram parar do outro lado da Terra.
c) O derrame de lava e os gases liberados na área da Cratera Wegener causaram o mega-aquecimento e a acidificação dos oceanos por longo período, resultando na anóxia e extinção de 95% da vida marinha.
d) O hipermegaterremoto[4] de magnitude superior a 13,6 — mais de 1,5 milhão de vezes mais intenso que o maior já registrado — atingiu todo o planeta sublevando o solo e lançando animais e árvores ao ar.[5]
Os animais de maior porte tiveram seus ossos quebrados com a queda e/ou foram empalados pelo que sobrou das árvores quebradas.
e) Animais e plantas que sobreviveram à irradiação térmica e à onda de choque foram massacrados pelo ejecta — rochas lançadas à distância pelo impacto.
Parte significativa desse ejecta retornou à Terra, muitas dessas rochas atingiram o espaço e retornaram como meteoritos incandescentes — as pobres inostrancevias que mal sobreviveram acabaram esmagadas por toda a Pangeia.
f) Os incêndios florestais varreram o planeta, destruindo ecossistemas inteiros.
Somente sobreviveram os pequenos animais aquáticos e terrestres cavadores de tocas dos ambientes menos atingidos, capazes de obter refúgio mais facilmente e que dependiam de quantidades mínimas de alimentos.
g) Os megatsunamis gerados pelo impacto e pelos megaterremotos que seguiram aniquilaram uma parcela impossível de quantificar da vida no planeta.
O recuo das águas lavou grande parte dos terrenos férteis — em compensação, always look on the bright side of life[6] — muitos incêndios florestais foram apagados rapidamente.
h) O volume de pó e cinzas lançado na atmosfera[7] foi maior do que 5 x 108 km3.
As plantas tiveram dificuldade para sobreviver com a ausência prolongada de luz solar — a escuridão global persistiu por anos.
i) Boa parte do planeta foi soterrada com camadas de dezenas e até centenas de metros de pedras e poeira, impossibilitando o renascimento da vegetação.
O lado bom, se é que podemos chamar assim, foi que o inverno vulcânico foi contrabalançado pelo calor acumulado nos oceanos, derrames de lava continentais e pelo efeito estufa dos gases vulcânicos.
j) O aumento da temperatura dos oceanos liberou enormes quantidades de hidratos de metano aprisionados no fundo dos mares — e o metano é o mais potente dos gases do efeito estufa.
k) O aquecimento dos oceanos possivelmente causou megafuracões por milênios, senão milhões de anos.
É uma hipótese que precisa ser verificada, porque furacões surgem da diferença de temperatura entre as águas quentes e o ar frio da atmosfera.
O aquecimento das águas foi notável, mas em compensação estima-se que as médias globais de temperatura atmosférica chegaram a aumentar em 15 a 20 graus Celsius, então qual teria sido o gradiente à época?
Teria sido suficiente para desencadear megatempestades?
l) O derrame de lava na Sibéria, resultado do impacto antipodal de Wegener e possivelmente intensificado pelos impactos de Arghanaty e Tarim, perdurou por milhões de anos.
Isso enriqueceu a atmosfera com quantidades inimagináveis de monóxido e dióxido de carbono, além de dióxido de enxofre — todos eles causaram asfixia em escala nunca vista.
Os derivados de carbono contribuíram significativamente para o aquecimento global, mas o dióxido de enxofre teve um papel controverso, pois tanto pode atuar como agente de aquecimento por absorver radiação solar como pode ser um agente de resfriamento ao refletir o calor para fora da atmosfera.
Existe uma teoria de que os animais desenvolveram mecanismos biológicos de resistência ao dióxido de enxofre por terem sido obrigados a conviver tanto tempo em condições atmosféricas absolutamente anormais.
É o caso de se pensar se essa evolução ocorreu como resultado do trauma permiano ou de outros eventos anteriores à invasão da terra firme pelos vertebrados.
m) Milhares de vulcões em todo o planeta entraram em atividade simultaneamente — é desnecessário mencionar novamente como isso contribuiu para o processo de extinção. Como bônus, isso desencadeou novos incêndios florestais, destruição de ecossistemas e extinções localizadas em suas proximidades.
n) Pelo menos dois eventos de impacto severos no final do Permiano — três se considerarmos a Cratera Bedout — desencadearam fraturas e a separação dos blocos continentais, além de outros eventos geológicos possíveis.
Atualmente não sabemos se outros eventos no mínimo com o porte de Bedout ou Tarim eventualmente aconteceram simultaneamente ou em curto intervalo de tempo — podem ter ocorrido crateras já subduzidas, somente as descobriremos se conseguirmos correlacionar seus hotspots remanescentes.
o) Todos esses efeitos somados causaram a extinção de 70% da vida continental — mas nessa altura já não havia mais inostrancevias para contar a história.
Em comparação, 186 milhões de anos mais tarde os dinossauros enfrentaram dias melhores durante a extinção do Cretáceo.
[1] Earth Impact Effects Program
[2] Earth Impact Effects Program
[3] Pré-mamíferos predadores de papel ecológico similar ao de leões e tigres, maiores que ursos e dotados de crânios longos (60 centímetros), todos extintos na crise do Permiano.
[4] Patente requerida.
[5] Earth Impact Effects Program
[6] Monty Python
[7] Earth Impact Effects Program
ATENÇÃO: Blog em ordem inversa. Para continuar a leitura, leia a postagem abaixo ("mais antiga").
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Muitíssimo interessante!
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