1) Processo de fragmentação da Cratera Wegener
· O que aconteceu com a outra metade da Cratera Wegener?
Imagem: Google Earth
A sul-sudeste da cratera Wegener, a uma distância de 5.200 km, há um arco vulcânico com as mesmas dimensões da cratera central de Wegener.
- Coordenadas do extremo norte do arco vulcânico: 11° 17’ 14” S, 167° 24’ 10” E
Esse arco é constituído pelas ilhas Vanuatu e se estende até as ilhas Fiji, e constitui a placa tectônica das Novas Hébridas.
Ao redor do arco vulcânico, parece haver um anel secundário com arcos concêntricos deformados e aproximadamente as mesmas dimensões do anel secundário externo da cratera Wegener — ele se estende desde as ilhas Salomão até a ilha Norte da Nova Zelândia.
- Coordenadas do extremo norte do anel secundário: 8° 16’ 27” S, 158° 31’ 30” E
Os arcos concêntricos podem indicar dois anéis secundários: um anel interno com dimensões equivalentes ao anel secundário interno da Cratera Wegener, e um anel secundário externo também com as mesmas dimensões que seu equivalente estudado anteriormente.
É demonstrável que a Placa do Pacífico, especificamente a Cratera Wegener, passou por aquela região.
As evidências são claras:
- Coordenadas do desaparecimento da cordilheira: 25° 26’ 09” S, 175° 9’ 52” W
- Coordenadas do ressurgimento da cordilheira: 10° 40’ 50” S, 175° 10’ 51” W
*Revisão: Na verdade, não ocorre subducção. Trata-se de uma coincidência. O percurso da grande cordilheira proveniente da metade ocidental da cratera central de Wegener (placa tectônica das Filipinas) coincide com o percurso da cordilheira menor originado na metade oriental da cratera (placa tectônica de Novas Hébridas). A informação foi atualizada na figura sobre as cordilheiras vulcânicas do Oceano Pacífico na Apresentação do Blog.
Que evidências dispomos para provar que essa seria a metade ocidental da Cratera Wegener que se fragmentou ao se chocar, romper e sobrepujar a resistência oferecida pela Placa Australiana com a ajuda da forte impulsão oferecida pela Placa do Pacífico?
Que evidências dispomos para provar que essa seria a metade ocidental da Cratera Wegener que se fragmentou ao se chocar, romper e sobrepujar a resistência oferecida pela Placa Australiana com a ajuda da forte impulsão oferecida pela Placa do Pacífico?
· O misterioso desaparecimento do anel secundário externo do lado oriental
Esse enigma foi o mais difícil de esclarecer, mas existe uma explicação lógica, coerente e demonstrável.
A Cratera Wegener passou por um processo de fragementação e suas partes estão espalhadas em quatro locais principais:
· · A localização atual de metade da cratera na Placa das Filipinas/Placa das Marianas que permitiu sua identificação;
· · A Placa de Nazca, rastreável pelas cordilheiras submarinas da cratera até seu ponto de origem;
· A Placa de Zelândia, onde se localiza aproximadamente 1/3 da cratera original;
·
A subplaca da Antártida Ocidental, que é a maior parte, com seu hotspot e anel secundário externo oriental como parte da Cratera Wegener.
Pouco após o impacto, a Cratera Wegener se fraturou, deixando para trás o intenso hotspot e seu denso anel secundário externo oriental.
Após a colisão com a parte oriental do continente antártico — a Antártida Oriental — o anel se consolidou nas montanhas que separam as duas metades do continente gelado.
O arco circular dessas montanhas coincide exatamente com um círculo de diâmetro 4.600 km.
Aparentemente, a Cratera Wegener se fragmentou pouco tempo depois do impacto, com sua metade mais densa (metade ocidental do anel externo e metade oriental da cratera central)
A Placa de Nazca derivou para norte a partir do ponto original acompanhando a trajetória da Placa do Pacífico, ambas impulsionadas pelo intenso fluxo de magma impulsionado radialmente a partir do local de impacto.
A ausência de cordilheiras vulcânicas entre o hotspot antártico e a Placa de Nazca talvez se explique pelo fato de já terem sido subduzidas abaixo dos Andes.
A localização do hotspot na margem oriental da cratera Wegener e não em seu centro pode ter ocorrido devido ao ângulo do impacto do bólido.
Ele formou uma cratera profunda devido à explosão, com o enorme derrame de lava que gerou a Placa das Filipinas/Placa das Marianas, mas causou o surgimento de fraturas na borda da cratera que se tornaram dutos vulcânicos ativos até hoje — isso tornou a porção sul-sudeste da placa da cratera mais rígida que o restante.
A tensão entre os blocos continentais se acumulou e em um momento não muito afastado do impacto, a Placa de Nazca se separou da Antártida Ocidental — o anel secundário externo e parte da área interna oriental da Cratera Wegener.
Na época, essa região que viria a ser a Antártida Ocidental ainda era independente da Antártida Oriental.
A fratura ocorreu diametralmente na cratera central e prosseguiu acompanhando o contorno da cratera central; a metade oriental permaneceu integrada ao anel secundário externo ocidental nos trechos norte, oeste e sudeste, composto atualmente por metade do Japão, Taiwan e Filipinas.
A cunha representada pela metade oriental da cratera central e a parte sul do anel secundário externo, composto atualmente pelas ilhas que formam a Nova Zelândia e países vizinhos, permaneceu unida ao bloco antártico enquanto a parte mais evidente da Cratera Wegener seguia rumo ao norte junto com a Placa de Nazca — e depois iria derivar rumo oeste passando sobre a Placa do Pacífico.
Ao encontrar a resistência da Placa Australiana, a placa da Zelândia ficou retida e isso deu início à deformação do arco vulcânico e do anel externo com a consequente rotação da Nova Zelândia.
O país é formado basicamente pelas Ilhas Norte e Sul — e a existência da falha Alpina ao longo da ilha Sul se desviando para a costa oriental da Ilha Norte pode eventualmente indicar a inversão de suas posições iniciais por pressão da Placa do Pacífico durante o processo de deformação da Cratera Wegener.
A presença das Fossas de Tonga e de Kermadec está relacionada à subducção daquele trecho da Placa do Pacífico sob o conjunto das Placas da Zelândia e Australiana.
2.2 O que aconteceu ao anel secundário externo da Cratera Wegener?
2.2.1 Japão, Taiwan, Filipinas e Nova Zelândia:
Formados na maior cratera de impacto do sistema solar
Como visto, atualmente é visível apenas a parte ocidental mais ao norte do anel secundário externo — composto de todo o arquipélago das Filipinas, a grande ilha de Taiwan e parte do arquipélago do Japão (áreas sul e central da ilha de Honshu e ilhas Shikoku, Kyushu e Okinawa — que apresentam geologia compatível até a linha de fratura/falha tectônica indicada pelo limite norte da cratera Wegener).
· O caso do Japão
A possibilidade de as ilhas na metade do norte do arquipélago do Japão também integrarem o arco secundário externo parece afastada devido à não conformidade dos perfis geológicos, mas estudos precisam descartar definitivamente essa possibilidade.
O fato de a metade norte ter realmente se formado na Ásia pode explicar a aparente discordância dos achados deste estudo em relação ao conhecimennto que se tem da história geológica do arquipélago.
O principal argumento oposto à origem asiática de todo o arquipélago é o seguinte:
· Como o Japão poderia se separar da Placa Eurasiática e vencer a força da Placa do Pacífico?
· Que força seria capaz de se opor à Placa do Pacífico e forçar o arquipélago a se deslocar contra essa enorme massa?
· Onde estão as evidências de deformação geológica que tal processo causaria?
O recorte da costa não é perfeito para uma separação tão recente como a proposta (15 Ma)[1]. Ao longo do estudo surgiram novas evidências com implicações profundas, estas serão apresentadas em um bloco posterior com a finalidade de preservar a linha de raciocínio que permitiu chegar até lá.
Encontramos exemplos melhores de separação da costa no Mar Vermelho, e entre Madagascar e África, e também entre América do Sul e África, eventos muito mais antigos.
· O caso de Taiwan
A ilha de Taiwan está integrada ao Arco Vulcânico de Luzón, nas Filipinas, e ela se situa em uma área de limite entre a Placa das Filipinas/Placa das Marianas e a Placa Eurasiática. As rochas mais antigas ali encontradas remontam ao Permiano.
· O caso das Filipinas
A evidência de que o arquipélago filipino foi criado a partir de um impacto se encontra na análise das rochas da Ilha Mindoro, datadas precisamente com 251,0 ± 2,6 milhões de anos [2].
Essa data coincide com exatidão à idade atribuída à grande extinção que pôs fim ao período Permiano.
Quais as chances dessa coincidência ser resultado de mero acaso fortuito?
· O caso da Papua-Nova Guiné
Papua-Nova Guiné também integrariam o anel secundário?
A ilha Papua-Nova Guiné parece integrar o anel secundário externo ocidental, mas essa percepção pode ser enganosa.
Suas proporções e estrutura geológica se mostram diferenciadas em relação à dos países citados anteriormente, então aparentemente sua origem está mesmo na Placa Australiana.
· O caso da Nova Zelândia
Esta é uma história mais complexa, vamos apresentá-la por partes.
2.2.2 Evidências da colisão da Cratera Wegener com a Placa Australiana
Analisando os mapas do relevo submarino, é praticamente possível visualizar como a Nova Zelândia foi forçada a girar em sentido anti-horário devido à resistência oferecida pela Placa Australiana.
As ilhas ocupavam a porção austral do anel secundário externo ocidental e agora se encontram em posição ortogonal em relação ao arco vulcânico central — o centro da cratera — e ao sentido de deslocamento da Placa do Pacífico.
O relevo submarino mostra o derrame de magma deixado para trás na medida em que as ilhas giravam sobre o eixo daquela fração da subplaca.
A impulsão da Placa do Pacífico se encarregou de deformar a metade austral ocidental do anel secundário da Cratera Wegener, e empurrá-la para as proximidades do arco vulcânico da cratera central.
Enquanto isso, após o rompimento a metade oriental prosseguiu junto com a Placa do Pacífico, livre da resistência, mas derramando uma quantidade enorme de lava que criou o gigantesco derrame de lava disperso por toda a Placa das Filipinas/Placa das Marianas.
1) Coincidência dos arcos vulcânicos
Exceto o caso em questão e o enorme arco vulcânico das Aleutas, todos os grandes arcos vulcânicos do planeta parecem dispostos sempre no mesmo sentido, com suas aberturas voltadas para oeste:
· Arco das Marianas (Cratera Wegener)
· Arco vulcânico de Banda
· Arco vulcânico do Caribe
· Arco vulcânico das ilhas Sandwich do Sul
Desconheço o motivo dessa preferência, mas pode estar relacionada ao sentido de rotação da Terra — ou à direção do impacto, conforme outros estudos do autor.
2) Coincidências geológicas e excepcionalidades no anel secundário externo
Que evidências dispomos de que a parte submersa da subplaca tectônica da Zelândia tem alguma relação com o anel secundário da Cratera Wegener?
Além das evidências apresentadas no bloco anterior, há as seguintes coincidências com integrantes mais ao norte do anel:
· O terreno basal do espinhaço central das duas ilhas principais da Nova Zelândia é constituído de rochas magmáticas formadas entre o Permiano e o Cretáceo — ou seja, contemporâneas ou posteriores à extinção.
· O terreno basal do espinhaço central das duas ilhas principais do sul do Japão é constituído de rochas magmáticas formadas entre o Permiano e o Cretáceo — ou seja, contemporâneas ou posteriores à extinção.
· A distância entre o continente e as ilhas da Nova Zelândia é muito grande para ser explicada pela teoria tectônica.
· As duas ilhas principais da Nova Zelândia possuem tamanho e proporções muito próximas das ilhas Honshu e Shikoku no Japão.
· E a geologia dessas quatro ilhas, tão distantes e tão parecidas, é muito semelhante — todas apresentam intensa atividade vulcânica, constante atividade sísmica, diversas fontes termais e por último, mas não menos importante, o já mencionado espinhaço central constituído de rochas magmáticas formadas entre o Permiano e o Cretáceo.
· Em ambos os arquipélagos, o perfil da costa próxima ao continente do qual as ilhas supostamente se destacaram não se encaixa no contorno do litoral continental — absolutamente.
Não existe coincidência de perfil entre a costa ocidental da Nova Zelândia e qualquer parte do litoral da Austrália.
Não existe coincidência de perfil entre a costa norte das ilhas Honshu e Shokaku e qualquer parte do litoral adjacente na Ásia.
Não existe coincidência de perfil entre a costa sul da Papua-Nova Guiné e qualquer parte do litoral da Austrália.
A proximidade e a semelhança entre os resquícios das metades oriental e ocidental da Cratera Wegener excede os limites de uma mera coincidência.
Talvez a melhor evidência para sustentar esta teoria esteja baseada na análise dos motivos de a fauna natural da Nova Zelândia ser única no mundo — apesar de a Austrália possuir animais exóticos únicos no mundo, a fauna da Nova Zelândia consegue ser totalmente diferente.
[1] Barnes, Gina L. (2003). "Origins of the Japanese Islands: The New "Big Picture"" (PDF). University of Durham. Archived from the original (PDF) on April 28, 2011. Retrieved August 11, 2009.
[2] Permian arc magmatism in Mindoro, the Philippines: An early Indosinian event in the Palawan Continental Terrane
Ulrich Knittel, Chien-HuiHung, Tsanyao Frank Yang, Yoshiyuki Iizuka
Tectonophysics Volume 493, Issues 1–2, 8 Outubro de 2010, Páginas 113-117
ATENÇÃO: Blog em ordem inversa. Para continuar a leitura, leia a postagem abaixo ("mais antiga").
Ulrich Knittel, Chien-HuiHung, Tsanyao Frank Yang, Yoshiyuki Iizuka
Tectonophysics Volume 493, Issues 1–2, 8 Outubro de 2010, Páginas 113-117
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Muitíssimo interessante!
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