segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Outras crateras da Extinção Permiana e Cratera Tarim

3. Outras crateras da extinção permiana
Há outras crateras passíveis de associação com a extinção permiana:
3.1 Austrália
3.1.1 Cratera Bedout
A Cratera Bedout se localiza no litoral australiano e se trata de uma cratera submarina enterrada no leito marinho, descoberta recentemente por sondagens de petroleiras.
- Coordenadas do centro[1] da cratera: 18° S, 119° E
Ela ainda está em vias de ser reconhecida como a segunda maior cratera de impacto do planeta, atrás apenas da Cratera Vredefort, na África do Sul — pelo menos até a publicação e confirmação deste estudo.
Sua idade é proposta como coincidente com a extinção permiana e, conforme este estudo, seu ponto de impacto/hotspot corresponde ao encontro da cordilheira submarina submarina originada por ela com a cadeia vulcânica submarina Noventa Leste (Ninety East Ridge).

3.2 Ásia
3.2.1 Crateras Arghanaty A e B
Outras crateras significativas para este estudo estão na Sibéria, região de Arghanaty. Os geólogos russos que a identificaram lhe atribuíram um diâmetro de 300 km.
Entretanto, minhas observações apontam duas crateras nessa região:
· Cratera Arghanaty A, diâmetro de 550 km, coordenadas do extremo norte: 53° 47’ 15” N, 68° 46’ 46” E
· Cratera Arghanaty B, diâmetro de 115 km, coordenadas do extremo norte: 49° 20’ 06” N, 69° 13’ 03” E

3.2.2 A grande Cratera Tarim escondida à vista de todos no Planalto do Tibete
Existe outra cratera significativa possivelmente relacionada à extinção permiana
Conforme estudos publicados recentemente, a província ígnea de Tarim é um derrame de basalto picrítico repentino com área de 300.000 km2, rico em nióbio e tântalo, datado 291 ± 4 Ma, o que a coloca próxima do período da extinção do Carbonífero.
Ela está plenamente visível no Google Earth e é conhecida atualmente como Bacia Tarim, adjacente ao Planalto Tibetano, China.
Imagem: Google Earth
- Coordenadas do extremo norte da Bacia Tarim: 41° 03’ 58” N, 84° 18’ 26” E
A Bacia Tarim constitui uma anomalia geológica bizarra e é uma das ocorrências geológicas mais enganosas do planeta — ela representa apenas metade da história daquele evento de impacto.
Os resquícios da verdadeira cratera permanecem no local do impacto e são demarcados pelo círculo de lagos cársticos que ocupa a maior parte do Planalto Tibetano.
- Coordenadas do extremo norte do círculo de lagos cársticos da Cratera Tarim: 37° 18’ 10” N, 86° 16’ 35” E
O formato oblongo da bacia constituída pela borda da cratera resulta da deformação imposta pela colisão recente (em termos geológicos) da Placa Indiana contra a Placa Eurasiática.
Além de elevar a cadeia do Himalaia, essa colisão modificou a forma e a posição da borda da cratera em relação à sua posição original.
No entanto, os lagos cársticos do planalto apontam a perfeita circularidade e o diâmetro de 750 km da Cratera Tarim original, e estão plenamente visíveis no Google Earth.
Apesar de seu tamanho significativo, não há derrame de lava associado diretamente a essa cratera.
Não há fluxos de lava em sua vizinhança imediata, o que é explicável pelo fato de o Planalto Tibetano ser uma das regiões mais espessas da crosta terrestre.
Por enquanto não existem indícios que permitam datar a ocorrência do impacto de Tarim, mas sua aparência relativamente preservada, sua proximidade e alinhamento com o derrame de lava na Sibéria e as Crateras Arghanaty A e B apontam para um evento recente não anterior à extinção permiana.
Quando comparada à Cratera Viluy, com idade de 360 Ma, é notável a aparência preservada da borda da Bacia Tarim.

1) Por que os geólogos não reconhecem a Bacia Tarim como uma cratera de impacto?
Os geólogos que estudam a Bacia Tarim limitam-se a investigar o interior da Cácia até seu perímetro — e sua borda, que é a borda remanescente da cratera, mas fora de sua posição original) e o subsolo em seu interior.
Fazem isso porque a consideram como uma unidade isolada, uma microplaca tectônica originada em tempos proterozoicos.
As características geológicas da Bacia Tarim são analisadas em profundidade (literalmente) no livro The Early Permian Tarim Large Igneous Province in Northwest China: Tectonics, Petrology, Geochemistry, and Geophysics.[2]
Como se deduz pelo título do livro, os autores a consideram uma LIP, uma grande província ígnea, um gigantesco vulcão de bordas elípticas de tempos anteriores à formação do continente da Pangeia — algo sem paralelo no planeta.
Essa notável análise detalhada apresenta a história geológica de toda a extensão da bacia, evidenciando a sobreposição de terrenos que remontam ao Pré-Cambriano.
Estes últimos se encontram no substrato rochoso, mas os sedimentos acumulados no interior da bacia são todos posteriores ao Permiano.
Isso é esperado, já que o subsolo da bacia não foi severamente perturbado pelo impacto, mas apenas o Planato Tibetano mais ao sul, verdadeiro local a ser pesquisado quanto a evidências de impacto.
Ao ler a análise da Bacia Tarim, inicialmente tem-se a impressão de que os dados negam a possibilidade de a Bacia Tarim ser uma cratera de impacto de maneira absoluta e contundente.
E com base naqueles dados essa conclusão está plenamente correta, porque a análise geológica feita no interior da bacia não corresponde ao real local do impacto que formou a cratera.
Na verdade a Bacia Tarim é formada apenas pela borda desprendida, deformada e deslocada para o norte da cratera.
A borda se destacou da cratera original por um processo similar ao da deformação de arcos vulcânicos:
Não por um derrame de lava massivo, mas devido ao processo de deriva da Placa Indiana que resultou na sua deformação em tempos recentes.
Evidências da verdadeira cratera de impacto somente serão encontradas em uma investigação abaixo dos sedimentos pós-permianos da área interna do círculo de lagos cársticos de 750 km que correspondem à posição original da borda da cratera.
Investigar o subsolo na região da Bacia Tarim é o mesmo que investigar a composição original do Planalto Tibetano na área não atingida pelo asteroide.
Que pistas temos para uma estimativa de que a formação da cratera coincide com a extinção permiana?
Um impacto causador de uma cratera de 750 km ocorrido após o Cambriano certamente teria provocado um evento de extinção em massa, e a extinção permiana continua sendo a mais forte candidata a esse título.

2) A microplaca tectônica subterrânea de Tarim
Um estudo feito na região aponta para o mistério da existência de uma microplaca tectônica com 100 km de espessura localizada a 250 km de profundidade.[3]
A existência dessa microplaca em tal profundidade não possui uma explicação convincente dentro da geologia clássica, da mesma forma que outra microplaca tectônica subterrânea localizada no Mar Mediterrâneo, Grande Adria.
Os geólogos propõem que essas microplacas simplesmente afundaram na crosta terrestre por centenas de quilômetros somente devido à subducção.
Imaginar que uma placa tectônica afunde por centenas de quilômetros — ainda mais na parte mais espessa da crosta terrestre — é tão pouco crível quanto pensar que um pulso de magma possa surgir de um processo de convecção sem necessidade de um gatilho externo.
Mas a criação de microplacas tectônicas em grande profundidade pode ser explicada de maneira racional, plena e facilmente se considerarmos a hipótese de sua criação por um evento de impacto.
Assim como a microplaca localizada nas profundezas do Planalto Tibetano, a microplaca tectônica de Grande Adria pode ser associada à Cratera Viluy, apontada como causadora da extinção devoniana há 360 milhões de anos (tema de outro estudo).

3.3 América do Sul
3.3.1 Cratera de Araguainha
A Cúpula de Araguainha ou Cratera de Araguainha é uma cratera de impacto no Brasil com um diâmetro de 40 km e uma idade estimada em 254,7 ± 2,5 milhões de anos.
- Coordenadas do ponto mais setentrional da cratera de Araguainha: 16° 47′ S, 52° 59′ W

3.4 África
3.4.1 Cratera Luizi?
A cratera Luizi é uma estrutura de impacto no Congo com um diâmetro de 12,6 km. Sua idade estimada é incerta, avaliada apenas como mais recente do que 600 milhões de anos.
Apesar de esse nível de incerteza não nos permitir associá-lo à Extinção do Permiano, seu alinhamento perfeito nos paleomapas com as Crateras Bedout e Araguainha é suficiente para despertar suspeitas de sincronicidade.
- Coordenadas do ponto mais setentrional da cratera Luizi: 10° 10′ 00″ S, 28° 00′ 00″ E

3.5 Hipótese da ocorrência de uma dupla rajada de asteroides
É interessante notar que as crateras Arghanaty, Tarim e Wegener estão dispostas em um alinhamento que sugere uma possível rajada de asteroides.
A enorme distância entre os pontos de impacto da cratera Wegener e suas correspondentes na Sibéria, o que permite pensar que um ou mais impactos podem ter ocorrido no Proto-oceano Pacífico.
Essa possibilidade é difícil de comprovar porque as crateras já foram subduzidas há muito tempo sob a Placa Eurasiática.
Eventualmente, seus hotspots — que se mantêm relativamente fixos em comparação com a deriva das placas tectônicas — podem estar presentes no atual Oceano Pacífico.
Os hotspots poderão apontar seus locais de impacto, mas a comprovação será difícil sem um identificador isotópico que permita associar uns aos outros.
A análise e a datação de rochas são limitadas pela dificuldade de acesso às camadas inferiores mais antigas do leito rochoso, ainda mais no leito oceânico.
Entretanto, admitindo-se a hipótese de uma rajada Wegener-Tarim-Arghanaty, existiriam indícios de outra rajada no alinhamento das crateras Wegener B e Bedout?
O impacto da Cratera Araguainha, diâmetro de 40 km no Brasil está identificado como ocorrido há 254,7 ± 2,5 milhões de anos.
O impacto da Cratera Luizi, diâmetro de 17 km na África de idade incerta.
O impacto da Cratera Bedout, diâmetro de 250 km na Austrália está identificado como ocorrido há 250,1 ± 4,5 milhões de anos.
As margens de erro são compatíveis com impactos simultâneos.
O impacto de Wegener B certamente foi posterior ao impacto da Cratera Wegener como evidenciado pelos derrames de lava superpostos.



[1] Não há informação se essas coordenadas se referem ao centro ou ao extremo norte da cratera e, por não é possível obter confirmação visual.
[2] Shufeng Yang, Hanlin Chen, Zilong Li, Yinqi Li, Xin Yu e publicado por Zhejiang University Press, 2018.
[3] Wenjin Zhao, Prakash Kumar, James Mechie, Rainer Kind, Rolf Meissner, Zhenhan Wu, Danian Shi, Heping Su, Guangqi Xue, Marianne Karplus, Frederik Tilmann:/“Tibetan plate overriding the Asian plate in central and northern Tibet”/, Nature Geosciences, DOI: 10.1038/NGEO1309, Franz Ossing, Helmholtz Centre Potsdam, GFZ German Research Centre for Geosciences, Deutsches GeoForschungsZentrum


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